quinta-feira, 9 de junho de 2011
Tchau.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Se escondendo com palavras.
Convenhamos: escrever sobre sentimentos é fácil. Com apenas algumas palavras, e sem fazer muito esforço, pode-se fazer um garanhão num momento. Consegue fazer com que qualquer pessoa se apaixone por você, e sem cortejo (ainda mais no século XIX, quando usavam essa palavra). Quando tinha dez anos, por exemplo, eu costumava ser um cara tão popular com o público feminino que tinha pelo menos umas oito namoradas. Sério. Tá certo que nenhuma delas sabia disso, mas também não disseram o contrário em nenhum momento. Era um segredinho meu. Mas vamos combinar que enganar a sua própria auto-estima pode ter as suas vantagens.
Também se pode utilizar a escrita para o contrário. Em vez de transformar num pegador nato, pode inventar o cara mais tímido do mundo. Aquele que mede as palavras até pra dizer "Bom dia" aos outros. Que nunca vai casar, porque tem vergonha de dar três beijos na bochecha numa apresentação informal. Isso é bom, porque mulheres gostam de caras tímidos. A timidez dá um charme às pessoas, porque esconde os segredos. Afinal, quem não tem segredos, não tem aquele atrativo para a relação. Ser muito transparente banaliza o ser humano - por favor, não confundam transparência com previsibilidade. Isso porque tem muito tímido que dá um show de transparência, e consegue surpreender em tudo o que faz.
Usar as palavras certas pode te levar do 'cume de um penhasco' ao fundo do poço em poucas linhas, porque não tem contato visual. Quem lê interpreta o que você escreve do jeito que acha melhor, mas sempre do jeito dele, porque você não se expõe. Embora possamos estar mentindo pra nós mesmos, o que a gente faz é utilizar o poder da palavra como psicologia - até mesmo psicologia reversa. Se o escritor acreditar no que está sendo escrito, melhor ainda. Afinal, quem não consegue comprar o próprio produto não faz ninguém comprar também. E é aí que a conversa volta para o lado da auto-estima, a maldita.
André N. Bueno
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Ser você é a melhor escolha.
Os relacionamentos são feitos na base da escolha. Pra mim, pode ser morena, ruiva ou loira. Com sorriso no rosto, e não na testa. Corpo violão, mesmo com algumas cordas desafinadas. Que tenha simpatia, mas que não seja uma pra trazer o homem amado em três dias. Com pé-de-galinha, mas que não fique por ai cacarejando à toa. Tem que gostar de piada, e que ria até quando for a própria. Tem que ser delicada até quando violenta. Por exemplo: ao matar uma barata com aquela sua havaiana cor-de-rosa. Precisa ser feminina em todas as situações, até xingando a mãe do juiz no jogo do time preferido. Compreensiva e que me espere na porta, mas não mosca-morta. Uma que cante no banheiro de forma desafinada, mas que seja sempre animada. Que se vista bem, isso inclui aquele pijama surrado que lhe cai como uma luva, ao meu lado. Uma que quando der 'tchau' não se preocupe com o bracinho balançando. Ou melhor, que não me dê 'tchaus', e sim 'até logos'. Com animação de sobra pra fazer qualquer coisa, até nada. Uma que me olhe nos olhos quando for falar, mas também quando não for soltar nenhuma palavra. Precisa ter amor pra dar e vender (deixando claro que isso não é um incentivo para abrir uma feirinha ou uma barraca do beijo). Deve ser brava nas discussões – adoro mulher com cara de nervosa -, mas que se desmonte toda com um simples sorriso. Que grite de alegria e saia correndo pra aumentar aquela música que você tanto gosta que começou a tocar no rádio. Se cantar errado, que diga que quem está errado é o cara da música. Que dance de forma maluca, desenfreada e que não tenha vergonha disso. Se alguém rir, que o chame pra ser ridículo também. Tem que gostar de beber cerveja comigo. Se não gostar, pelo menos seja paciente e entenda que só estou tentando diminuir o consumo alcoólico das outras pessoas. Ah, se ficar bêbada, que seja engraçada e carinhosa, e não fique de cara emburrada por qualquer besteira. Falando nisso, tem que gostar de besteiras, porque ‘besta’ é o meu nome do meio. Precisa gostar de música. Se for possível, fique me ‘tietando’ na frente do palco quando eu estiver tocando. Tem que ser inteligente – mas se não for, seja ao menos esforçada. Precisa ter vontade de ganhar o mundo todos os dias, principalmente se for o meu. E, mesmo após tantas escolhas e condições, eu só quero que despreze tudo e seja apenas você. Afinal, foi o porquê de eu te escolher.
André N. Bueno
