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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Eu te desafio. Você aceita?

Desafio:
subst. m.
1. estímulo, provocação: responder a um desafio
2. jogo: um desafio de futebol

Já se sentiu desafiado por alguém? Já? E qual foi a sua reação: dar a cara a tapa e talvez conseguir algo, ou sair correndo fugido e de mãos abanando? Acredito que responder pode ser complicado, né? Ainda mais porque a resposta também é complicada. Ao invés disso é melhor perguntar: "O que vou ganhar com isso?". Pois é, se responder algumas perguntinhas já está sendo difícil, imagina então realizar grandes proezas (às vezes pequenas para outros, mas gigantescas para nós) e assumir grandes riscos. Falar sobre "desafio" já está sendo um desafio logo no primeiro parágrafo, e confesso que está difícil pra caramba.

Quando criei esse blog, por exemplo, eu era um nada. Isto por que não sabia muito e não almejava o topo. Entretanto, eu tive um contratempo, porque eu gostei de escrever. Eu fazia textos, eu fazia títulos, eu fazia pautas e tudo isso com diversão. No entanto, o que passa a ser feito com amor é valorizado, e em meus textos tinha amor. Havia carinho em cada frase, palavra e letra, e as pessoas notavam isso e me incentivavam a sempre fazer mais. Elas gostavam de ler o amor em frases sinceras escritas por dedos "sem jeito", e queriam mais.

O problema é que quando algo é criado e passa a ser levado à sério, as pessoas passam a pertencer à criação daquilo também, e exigem uma continuação natural. Isto em tudo na vida. Relacionamentos, compromissos e todos os variados tipos de coisas que você dá um início. E é exatamente nesse ponto que surgem os desafios. Os outros esperam uma tentativa da sua parte e, se você não progredir, os frustra. Em contraponto, se você não tentar, você mesmo se frustra, o que pode ser muito pior. Ou seja, você não precisa da provocação das pessoas para você se mover, pois a vida te dá um pé na bunda (no sentido figurado, ou não) se você ficar parado.

O problema da vida é que ela te vicia aos desafios. Semelhante aos carros que precisam de gasolina para andar, você não é ninguém quando passa a viver sem desafios. Quando acaba o primeiro, você procura o segundo, e assim sucessivamente. O vício se dá na primeira experiência. É como amor à primeira vista, mas é forte como a paixão. É adrenalina, é dependência, é inquietação. Após o primeiro desafio, já era: você não é mais o mesmo. Você é um drogado, um viciado que não consegue ficar parado, porque isso te frustra. Sua mente se torna seu melhor amigo e seu maior inimigo.

E quando não consegue realizar um desafio? Isso não existe. Um desafio nunca morre, só hiberna. Surgem outros desafios, mas o outro não é esquecido por que ele te frustra, e frustração é o câncer do cérebro e do coração humano. As pessoas não conseguem viver com frustrações, e não querem isso também. Ironicamente o medo da frustração vira combustível para agir. Por outro lado, há os esportistas, que são os fanáticos. Falar de um fanático é como falar daquele feioso da balada que não tem nada a perder. Eles não se importam com o que acontece, pois só querem vencer. E usam todos os atributos para ganhar. Eles são determinados. Mostram qualidades, mostram que são simpáticos, competentes e até que podem ser bons pais, mas não tem nada a perder e não suportam uma rejeição.

Devemos ser os feiosos da balada para alimentar o nosso vício. Devemos enxergar a vida sempre como desafio, pois é exatamente o que ela é. Ela vai te frustar, vai. Sempre haverão frustrações no caminho, mas só conseguimos caminhar se desviarmos o foco dos buracos e pensar no objetivo. É tudo uma questão de ponto de vista. Eu posso muito bem encarar um desafio como uma possibilidade de frustração e acabar tropeçando nos meus medos, mas posso encarar como com uma possibilidade de vitória e caminhar a estrada da vida com um sorriso no rosto e com tesão por desafios. A partir desse dia, desafio dado é desafio cumprido - mesmo quando comprido.


André N. Bueno

Ao meu irmão George Bueno fica os meus parabéns pelo ingresso ao mestrado. Ele sem dúvida é um feio da balada. =)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

As três fases da vida.

Já nasci levado e sapeca, com o joelho ralado e sujando a cueca. Já tomei muito esporro da mãe por sujar a porta da vizinha de lama, brigar com irmão, tirar nota baixa na escola, além de tapa na boca por xingar. A infância é linda, e a curiosidade mais ainda. Grande parte de tudo o que aprendemos na nossa vida foi aprendido na infância, sem dúvida. Só com o passar dos anos que você nota que todo e qualquer brigueiro que você toma quando criança remete quase e exclusivamente para aquela época. Percebe então que cada época tem as suas regras e, dentre de tudo, seus limites, aprendizados, esporros (que nunca te largam) e elogios. Sim, elogios. O elogio é o que mais nos aproxima das pessoas. Embora já tenham errado tanto quanto - ou mais ainda - do que nós, os elogios são a forma encontrada pra dizerem "Você está ficando bem parecido comigo". E nossas 'quebradas de regra' são o jeito que encontramos pra dizer "Te admiro, tenho-te como referência, mas quero ser diferente". O tempo passa e a gente passa de fase. Entramos na adolescência. Fase essa que também tem sua beleza. É a fase dos amores e da loucura. Você aprende que consegue amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Na verdade, você não aprende, mas sabe que consegue. Mas também não tinha outro jeito, porque a adolescência é a fase dos corações partidos. Tantos amores de cinema declarados em cartinhas anônimas, flores de plástico, versos parodiados e guardanapos com marcas de batom. Tempo bom a adolescência. Pouca responsabilidade e um mundo pra conhecer. E, se voltasse às 22h como a mãe sempre pedia, não ficava de castigo e poderia conhecer mais ainda no dia seguinte. E ficamos bons anos na vida boa, nos apaixonando diariamente e tirando a média na escola pra sair com os amigos para aquelas festinhas americanas em que você sempre levava o refrigerante, espertinho. Acaba a adolescência e, com isso, chegam as responsabilidades. Vestibular, faculdade, estágio, primeiro emprego, namoro sério, casamento, falta de tempo, contas a pagar, filhos, contas a pagar, falta de tempo e mais responsabilidade. A fase adulta é aquela fase saudosista em que se sente saudade das outras. É quando notamos que a vida é uma eterna ironia. Quando a gente é criança, queremos crescer. Quando crescemos, queremos voltar a ser criança. Tudo se passa rápido demais por nos focarmos na política do 'pouco': ouvimos pouco, paramos pouco, lemos pouco, observamos pouco, amamos pouco. Resumindo: vivemos pouco. Se soubéssemos disso no período vivido, daríamos mais atenção. Daríamos mais atenção aos esporros dos pais, aos elogios. Por sentir saudades, brigaríamos mais com o irmão, tiraríamos mais notas baixas na escola, só pra ter os pais mais próximos ainda. Quebraríamos mais regras, nos apaixonaríamos mais e, consequentemente, tomaríamos mais 'nãos'. Teríamos dez namoradas na adolescência. Mandaríamos mais bilhetes, cartinhas, poemas, flores, versos parodiados e guardanapos com marcas de batom. Faríamos mais vestibulares, faculdades, estágios e teríamos mais namoros, filhos e contas pra pagar. Mas faríamos isso de forma pausada, aproveitando tudo o que temos direito. E, no final de toda essa jornada, se perguntassem se tive uma boa vida, responderia que nasci levado e sapeca, com o joelho ralado e sujando a cueca, e que levei toda essa energia pro resto da vida.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A vida é colorida. Só falta a gente descobrir isso.

Temos que colocar na cabeça que tudo já é difícil por natureza, e que ficar reclamando só piora ainda mais tudo o que já temos que aguentar. O melhor jeito, por isso, é começar a tratar a vida como uma enorme aquarela. Por que, se pensarmos bem, é exatamente o que ela é. Uma aquarela grande, colorida, com seus espaços, percepções, sensações e vontades de mudar. Assim podemos nos transcender de tudo e passear por entre as cores. Seria lindo, não é mesmo? Percebendo a força das cores, maquiamos os problemas e damos força ao que realmente importa. Assim fica mais fácil de encararmos tudo sem medo e resolver o que temos que resolver. E digo mais: se fôssemos espertos, usaríamos as cores como aliadas, ou você acha que as árvores são verdes por acaso? Lógico que não. A esperança do verde é exatamente o que a gente precisa quando fica preso no trânsito e corre o risco de chegar atrasado no trabalho. Cada dia vivido é mais uma oportunidade de perceber que é impossível não perceber as cores, porque estão em tudo. Em tudo mesmo, inclusive em coisas que devíamos esquecer, como em nós mesmos e na nossa ridícula discriminação racial em 'branco', 'pardo' e 'negro' - sem contar nos nossos amigos 'amarelos'. Ainda bem que para compensar isso, fazemos questão de lembrar das piadinhas horríveis que ouvimos todos os dias, que vão desde 'o que é um pontinho amarelo' até às perguntas sobre o porquê do azul do céu - a resposta, aliás, é muito ruim. O mais bacana disso tudo é que as cores são contrastantes até nos próprios significados que elas dão à vida. O azul pode ser triste, mas se fica tudo 'blue', é lindo. O vermelho de sangue não é mais vermelho do que seu significado num coração de pelúcia. O verde lembra as florestas, mas também nos dá a esperança de que um dia os nossos filhos também as conhecerão. O amarelo de fome nunca será tão forte quanto a força do amarelo do sol. O preto do luto não é tão classudo quanto o usado no terno do seu casamento, e o branco das queimadas e da fumaça das bombas de guerra nunca será tão branco quanto o da bandeira de paz. Com certeza existem muito mais cores e opções de mostrar que sem cor, nada tem razão. Mas, não consigo colorir mais as minhas palavras e, por isso, acho que devo desculpas a vocês pela falta de cores no meu texto. É porque realmente deu branco.


André N. Bueno