Ao contrário do que se imagina, às vezes grandes marcas enfrentam concorrência feroz de um evento que esteja sendo realizado em determinada época. Foi o que aconteceu com um restaurante da Mc Donald´s na Suíça durante o Zurichfest, o maior festival do país que é composto por barracas vendendo comida independente. E o que o “Big M” fez para não perder clientes neste período?A TBWA aproveitou que as sinalizações de rua são removidas durante a atração e criaram a própria “faixa de pedestre” na frente do Mc Donald´s para lembrar a todos a famosa batata frita da marca. Mais um bom exemplo de que não importa o tamanho da empresa ou se ela é líder de mercado: todo mundo precisa fazer propaganda para continuar na mente do consumidor.
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Toda vez que tento analisar o nosso mundo e as mudanças que vêm ocorrendo nele, eu tenho problemas. Mas acredito que achei a palavra certa para defini-lo dessa vez: “Boomerangue”. Tá, eu sei que não entenderam o uso desse termo no contexto esquisito em que está inserido, mas ele foi usado de maneira estratégica para falarmos um pouco sobre a Geração Y e uma das suas características mais marcantes, o imediatismo.
Quem, quando jovem, nunca teve um boomerangue? Bom, eu já tive. É um brinquedo que você joga no ar, ele faz a curva e retorna de volta para suas mãos. E tudo isso sem apertar nenhum botão! Incrível, não é? Brincadeiras a parte, mas o conceito se encaixou certinho para a definição dessa galera que surgiu nos anos 80.
Nascidos com a “cara no PC”, já estão inseridos no mundo tecnológico desde o berço. Por dentro de todo esse aparato digital, têm conhecimentos que grande parte dos adultos não possuem. Como acompanharam todo o turbilhão evolutivo de perto, isso os tornou flexíveis, adequando-se muito rapidamente às mudanças e dificuldade que abalam o seu cotidiano em qualquer campo que seja. Profissionalmente falando, isso é um dom.
Eu digo que a geração Y é como se fosse uma “Mulher”. Digo isso, pois eles são totalmente multifuncionais – conseguem falar ao telefone, prestar atenção na mãe dando sermão atrás e ainda “twittar” sobre a novela das 9h. Excelente qualidade exigida hoje pelas empresas, que querem seus funcionários cada vez mais qualificados e, em contrapartida, recebendo cada vez menos.
Injustiças de lado, essa galera dominou a comunicação de uma forma tão rápida quanto ao legado deixado pelas gerações passadas – Fast-foods, drive-thru e afins -, tudo com a intenção de reduzir o tempo e fomentando a impaciência (todos tem perfil questionador e seu compromisso é com desafios e resultados de curto prazo), como diz a palavra-chave que os rege.
Ainda duvidam da veracidade do que acabei de escrever? Por exemplo, quem nunca ouviu um pai do séc. XXI pronunciar frases como “fulano, sai desse video-game”, “fulana, larga esse computador”? Reza a lenda que eles largam. Não é à toa que são mais de 1h da manhã e ainda estou aqui nesse vício.
Velocidade. Essa é, sem dúvidas, a palavra-chave da nova ordem mundial. No atual estágio da globalização, quem dita as regras do jogo são os ponteiros do relógio. Qualquer perda de tempo é suficiente para atrasar toda uma logística do sistema capitalista e, com isso, haveria uma perda grande nos lucros e, como conseqüência, “cabeças iriam rolar”. Para impedir o desencadeamento dessa bola de neve, todo o tempo gasto deveria ser “enxuto”, o que incluiria um possível aumento na velocidade do deslocamento residência-trabalho e uma redução no tempo de alimentação. Surge, então, a famosa geração fast-food.
Com o condicionamento econômico influenciando cada vez mais a expansão das grandes marcas alimentícias em todo o território dos EUA, as redes de fast-food passaram, praticamente, a “infestar” tudo com as suas filiais. A grande oferta de lanchonetes as forçou a reduzir os preços dos lanches e, paralelamente a isso, obrigavam os outros produtores de comida “saudável” a aumentarem (se não ganhamos na quantidade, ganhamos no preço. E vice-verso). Já que podíamos comer hambúrgueres baratos e com rapidez, por que insistiríamos em comer nos restaurantes tradicionais? Pois é, Agora o que era puramente ocasional acabara de se tornar cultural.
Infelizmente, como tudo que se tem em excesso tende ao mal (como dizia e diz a minha querida mãe), a obesidade atingiu praticamente todos os EUA e trouxe, junto com ela, os mais variados problemas de saúde acarretados pelo sobre-peso. Só para contabilizar, mais de 60% da população adulta norte-americana é afetada pela obesidade e seus males. E o posicionamento da marca em relação a isso, parou de influenciar o consumo de seu produto? Óbvio que não. Já que o “vício” estava implantado e era barato mantê-lo, nem as pessoas queriam largá-lo.
No entanto, com a situação se tornando cada vez mais preocupante, era necessário que houvesse uma comunicação eficiente e radical dotada de responsabilidade social para informar às pessoas que, mais dia menos dia, elas iam morrer. Foi ai que surgiu um maluco que se candidatou a comer todos os dias no McDonald’s, durante o período de 30 dias e, além disso, deixou que registrassem tudo. Com isso, foi criado o documentário “Super Size Me – a dieta do palhaço”, um filme que faz uma crítica direta à rede de fast-food (McDonalds, basicamente) e os seus malefícios para com a saúde.
Com a velocidade em que a tecnologia tem se desenvolvido e ultrapassando barreiras, a expansão das redes de fast-food passou a ser global, atingindo praticamente todos os países de primeiro ao terceiro mundo (o McDonald's, a maior rede desse nicho, está inserida em 120 países do mundo). Mas os países já estão tomando as devidas providências, ou não acha que é por isso que na França se come lesma, no Japão se come arroz e no Brasil não se come nada? O mundo inteiro tá de regime.